Mais um dia das mães se aproxima e, como de costume, a maternidade vira o assunto principal de revistas, programas de tv e rádio. Tive a oportunidade de assistir alguns desses programas e me impressionei com aspecto que percebi em todos eles: falar bem da maternidade incomoda.
Toda vez que alguém colocava a maternidade como uma experiência única, sublime e qualquer outro adjetivo desta natureza, a afirmação era rebatida com vigor. Ouvi coisas do tipo: "o que tem de sublime em ter que usar um absorvente no peito durante meses e dormir 2 horas por noite?"
Acho que estamos vivendo um momento em nossa sociedade em que existe um certo constrangimento em falar bem de algumas coisas, especialmente de questões que são escolhas pessoais. Se eu gosto de ser mãe e experimento um sentimento sublime diante disso, que mal tem falar disso com entusiasmo e paixão? Parece que para respeitar o direito e o espaço dos outros precisamos falar de maneira morna sobre nossas escolhas, para não induzir a ninguém a tomar as mesmas escolhas que as nossas.
Graças a Deus, hoje alguns códigos sociais caíram e existe mais espaço para escolhermos se casamos ou compramos uma bicicleta (não resisti à essa piada :) ). Isso permite que nossas decisões sejam mais autênticas. Imagino como deveria ser terrível para uma mulher na época de nossas mães ou avós ter tão poucas escolhas. Agora, se no auge de nossa liberdade uma mulher resolve ter filhos, o que tem demais que isso seja tratado como uma escolha alegre e feliz?
Eu amo ser mãe, de todas as coisas que eu faço é a que me dá mais satisfação mas isso não quer dizer que seja uma tarefa fácil. Filho faz birra, fica doente, se machuca, perde o sono no meio da madrugada... e aja disposição, paciência e coluna pra aguentar isso. Mas ser difícil, não significa que seja ruim, se você tem vocação pra isso. Pra mim este é o ponto: VOCAÇÃO.
É como ser médico. Dá pra entender como aguentar a rotina de uma emergência quando você não tem vocação?
Não acredito que TODA mulher precise ser mãe, que só se sinta completa assim. Acredito que a possibilidade de ser mãe é um privilégio da mulher, mas que primeiro ela tem que sentir esse desejo. Quando o filho vem antes do desejo, a natureza ajuda, mas pra isso precisamos baixar a guarda e nos abrir à experiência.
Não sou nenhuma super-mãe, nem quero ser. Sou só mãe e adoro ser acordada por meus filhos, ficar olhando eles dormirem, sentir o cheiro deles, ver eles crescendo, fazendo amigos, escolhas, virando gente... é incrível acompanhar tão de perto uma personalidade se formando e poder ser um pouco responsável por isso.
Não quero convencer ninguém a ser mãe mas não vou "amornar" a minha experiência pra ser politicamente correta. Nada me ensinou mais sobre mim, sobre os outros e sobre o amor como ser mãe. E sou muito feliz por isso!
Isso mesmo Rosi. Amei!!!
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